segunda-feira, 12 de abril de 2021
O Silva - Reproduções e Releituras
sexta-feira, 9 de abril de 2021
O Silva - HÚMUS, HOMO, HUMILDE por Romildo Sant'Anna
HÚMUS,
HOMO, HUMILDE
ROMILDO SANT'ANNA
José Antônio da Silva nasceu
Desde criança sentiu inclinação
para o desenho. Rabiscava em superfícies improvisadas. Autodidata, corajoso,
visionário e aventureiro, inventando os próprios meios, Silva barganhava
pinturas por mantimentos, remédios e bugigangas; dava quadros em troca de
receitas médicas. Semi-alfabetizado, e durante 10 anos, escreveu o Romance da Minha Vida, editado em
49 pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo. Publicou os versos de Sou Artista, Sou Poeta (81) e três outras narrativas romanceadas – Maria Clara (70, prefácio de Antônio Cândido), Alice (71, adaptada em 86 como a peça “Rosa de Cabriúna”, pelo Centro de
Pesquisa Teatral do Sesc, direção de Márcia Medina, sob a supervisão de Antunes
Filho) e Fazenda da Boa Esperança (87).
Embora no decênio de 1940 fosse
desconhecido
Em 1966, Silva criou o Museu
Municipal de Arte Contemporânea de Rio Preto. Ainda nesse ano, além de
coletivas em Moscou e Paris, foi distinguido com “Sala Especial” na Bienal
Internacional de Veneza. É citado em dicionários e enciclopédias nacionais e
estrangeiras; referido e estudado em livros de história da arte. Há publicações
sobre o artista no Brasil e no exterior, além de estudos universitários de alto
nível. Acerca do artista foram realizados filme de cinema, reportagens em
jornais e revistas, inúmeros programas de televisão e o CD-Rom ȁJosé Antônio da
Silva”, produzido pela Associação dos Amigos da Pinacoteca e Prefeitura de São
Paulo. Silva possui quadros em Galerias e Museus de várias partes do mundo. Na
capital, faz parte do MASP, do MAM, do MAC, da Pinacoteca do Estado e do Museu de
Arte Sacra.
Após a aposentadoria da
Biblioteca Municipal, José estabeleceu domicílio e atelier
Silva foi um Antônio; um José...
tudo nome de gente simples, ordeira e cumpridora. Foi emblema político e
gritante do sem-terra, do sem-teto, do sem-nada que venceu na vida. À moda dos
artistas populares, e incorporando tardiamente um ardente romantismo, fez de
sua existência, arte; de sua arte, vida. Era personagem de si mesmo, um rapsodo
perdido
Em 12 de março de 2001, quando o
artista completaria 92 anos, o MAP voltou a funcionar. Entre abril e junho
foram restauradas 11 de suas telas a óleo, com o apoio cultural do SESC – Rio
Preto. Em março de 2002, inaugura-se no MAP – Museu de Arte Primitivista ‘José
Antônio da Silva’ a exposição permanente Silva: Imagens e Meios, composta de 26
objetos fotográficos impregnados de óleo sobre tela, com forte influência da
Pop Art norte-americana e outros movimentos experimentais de 1960 e 70.
Materializa-se outra vez a utopia de Silva, acalentada desde moço, quando
chegou
Romildo Sant'Anna, escritor, prêmio 'Casa das
Américas' (Havana), é curador do Museu de Arte Primitivista 'José Antônio da
Silva' - São José do Rio Preto, Brasil.
O Silva - algumas obras
"Leian com muita atenção esta aula do Silva que sou eu mesmo. nasci
errado e estou certo. para ser um bom artista ou pintor tem que nascer sabendo.
Eu não durmo com o olho de ninguém. tenho horror a velhice. não confio em
ninguem. levanto cedo e deito cedo. amanhan é sempre outro dia. ja nasci
analnafabeto e sou um enquelectual. a vida não é so vida tem algo mais. pratico
jinastica e de manhan corro mais do que um cavallo. gosto muito do mar e nado
muito. tomo banho de sol todos os dias. não bebo e nem fumo. eu mesmo sou o meu
medico. quero viver e chegar aos 100 anos. tenho muita força de vontade. sempre
ajii sozinho sem ajuda de ninguem. meu deuz é a natureza e o resto é embrulho.
nois somos Encantado e o mundo é um encanto. toda mulher é Flor da espinho
Carinho e amor. quem não ama, não vive. Eu como amo estou vivendo. pinto de
manhan até as 11 horas. Repouzo 3 horas por dia. Frecuento a picina e adoro um
rabo de saia. as mulheres são remedio para os homens. quem não ama não esta
vivendo e sim vejetando. quem nunca amou na vida não morreu não é nada. não
tenho comprecto de enferioridade. sou eu mesmo. me criei no rabo do boi no meio
dos urubus. porisso é que todos os meus quadros tem urubus. so falo a verdade e
o que sinto. não sou simpre e nem convencido. vivo e ajo a minha moda. isto que
escrevi é pura Filozofia da vida e do mundo. Estamos no meio das grandezas e
continuamos com os olhos vendados". (sic)
José Antônio da Silva, 4 de agosto de 1976
SANT'ANNA, Romildo. Silva: quadros e livros, um artista caipira. São Paulo:
Unesp, 1993.
https://www.escritoriodearte.com/artista/jose-antonio-da-silva
"Estão percorrendo todo Europa
Para todos apreciar
Mostrando as verdes peroba
E as praias linda do mar
As toras em cima do carro
O carreiro alegre trabalhando
O pasto molhado de orvalho
O carro triste cantando.
Mostrei o canavial
Mostrei o engenho de cana
Mostrei o cafezal
Mostrei as morenas bacana.
Lá foi o cateretê
O caboclo alegre sapateando
Para o mundo todo ver
O maior primitivo pintando.
Eu pinto a lavoura
Também pinto as pastaria
Pinto a empregada e a patroa
Pinto a Joana e a Maria.
Pinto carroça e carreta
Pinto carro e carretão
Pinto o pedreiro na picareta
Pinto o colono no enxadão.
(...)
Eu sou primitivo
Já nasci pintor
Quando mais eu vivo
Mais pinto com amor".
José Antônio da Silva
SILVA, José Antônio da. Sou pintor, sou poeta. São Paulo: Kosmos, 1982. p.
111.
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| Cachoeira |
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| Cafezal |
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| Chegada de João Bernardino de Seixas Ribeiro |
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| Corcovado |
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| Fim da Humanidade |
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| Primeira queimada |
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| Queimada |
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| Rapto da noiva |
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| Tempestade de vento |
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| Travessia do Araguaia |
quarta-feira, 7 de abril de 2021
Biografia de José Antonio da Silva - O SILVA
Silva, José Antônio da (1909 - 1996)
Biografia
José Antônio da Silva
(Sales de Oliveira SP 1909 - São Paulo SP 1996). Pintor, desenhista, escritor,
escultor, repentista. Trabalhador rural, de pouca formação escolar, é
autodidata. Em 1931, muda-se para São José do Rio Preto, São Paulo. Participa
da exposição de inauguração da Casa de Cultura da cidade, em 1946, quando suas
pinturas chamam atenção dos críticos Lourival Gomes Machado (1917-1967), Paulo
Mendes de Almeida (1905-1986) e do filósofo João Cruz e Costa. Dois anos
depois, realiza mostra individual na Galeria Domus, em São Paulo. Nessa ocasião
Pietro Maria Bardi (1900-1999), diretor do Museu de Arte de São Paulo Assis
Chateaubriand (Masp), adquire seus quadros e deposita parte deles no acervo do
museu. O Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP) edita seu primeiro livro,
Romance de Minha Vida, em 1949. Na 1ª Bienal Internacional de São Paulo, em
1951, recebe prêmio aquisição do Museum of Modern Art (MoMA) [Museu de Arte
Moderna] de Nova York. Em 1966, Silva cria o Museu Municipal de Arte Contemporânea
de São José do Rio Preto e grava dois LPs, ambos chamados Registro do Folclore
Mais Autêntico do Brasil, com composições de sua autoria. No mesmo ano, ganha
Sala Especial na 33ª Bienal de Veneza. Publica ainda os livros Maria Clara,
1970, com prefácio do crítico literário Antônio Candido (1918); Alice, 1972;
Sou Pintor, Sou Poeta, 1982; e Fazenda da Boa Esperança, 1987. Transfere-se de
São José do Rio Preto para São Paulo, em 1973. Em 1980, é fundado o Museu de
Arte Primitivista José Antônio da Silva (MAP), em São José do Rio Preto, com
obras do artista e peças do antigo Museu Municipal de Arte Contemporânea.
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| Auto-retrato |
https://www.riopreto.sp.gov.br/museu-arte-primitivista/
Comentário Crítico, Enciclopédia Itau Cultural
Autodidata de formação,
José Antônio da Silva exerce várias atividades, entre elas a de trabalhador
rural, até o seu trabalho como artista ser descoberto em 1946, durante
exposição na Casa de Cultura, em São José do Rio Preto, despertando o interesse
de críticos de arte que participavam do evento. Suas primeiras pinturas possuem
cores frias e escuras. A partir de 1948, realiza paisagens de caráter mais
lírico, empregando uma gama cromática mais viva e variada. Expõe nas três
primeiras edições da Bienal Internacional de São Paulo, e nessa época, sua obra
revela a influência pela pincelada vibrante de Vicent van Gogh (1853-1890), em
1955, passa a realizar quadros baseado no pontilhismo, nos quais os pontos ou
traços de cor proporcionam destaque a matéria, como em Espantalhos diante da
Paisagem (1956).
Apresenta em suas telas
espaços amplos, abertos e temas ligados a vida no campo, como o algodoal, os
cafezal e o boi no pasto, que acabam tornando-se sua produção mais conhecida.
Como nota o crítico P.M. Bardi, o artista revela grande espontaneidade na
abstração dos detalhes em suas telas, onde, por exemplo, fileiras de pontos
brancos indicam o algodoal. Destacam-se em sua obra o desenho expressivo, o
senso da cor e o caráter de fantasia. Silva percorre uma grande variedade de
temas: natureza-morta, pintura sacra, marinha, pintura histórica e de gênero.
Algumas telas possuem um tom irônico. Nos quadros realizados a partir da década
de 1970, o artista cria maior distinção entre a figura e o plano de fundo,
empregando também grandes planos de cores.
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2079/jose-antonio-da-silva

























































